Doença Celíaca ou Sprue Celíaco

O que é a Doença Celíaca?
A doença celíaca, também conhecida como sprue celíaco, é uma condição inflamatória do intestino delgado genética que é precipitada pela ingestão de trigo (glúten) .

Quais são as causas desta doença?

Existem dois fatores importantes que contribuem para o desenvolvimento de doença celíaca: a ingestão de trigo e a carga genética do indivíduo.

A ingestão de trigo: Uma grande proteína insolúvel, o glúten, encontrado no trigo, tem sido identificada como a substância agressora. A decomposição da do glúten ao entrar em contato com álcool forma proteínas menores, ricas em prolinas chamadas gliadinas, que são capazes de precipitar a doença em indivíduos celíacos previamente assintomáticos. Proteínas análogas existem em outros grãos como centeio, cevada e aveia, e portanto estes grãos também são capazes de exacerbar a doença celíaca. A seqüência específica de peptídeos de gliadina responsável por desencadear a inflamação intestinal ainda não foi identificada.

A carga genética do indivíduo: a doença celíaca é familiar. Os parentes de primeiro grau de indivíduos com doença celíaca podem ou não manifestar os sintomas da doença.

A predisposição à sensibilidade ao glúten foi relacionada a um antígeno de histocompatibilidade (MHC) da região D do cromossomo 6. O halótipo HLA mais importante é o DQw2, que geralmente está ligado ao DR3. Outros importantes halótipo HLA identificados são o DR7 e DPB 1,3,4.1 e 4.2. Os sítios nas moléculas MHC de classe 2 responsáveis por interagir a gliadina com os receptores das células T do hospedeiro ainda não foram identificados

Como começa o problema?

O início da doença mais comumente se dá ao redor dos dois anos, após o trigo ter sido introduzido na dieta, ou em adultos jovens (terceira ou quarta décadas). Entretanto, a doença celíaca poder começar em qualquer idade. Em indivíduos susceptíveis, a proteína do trigo gluten desencadeia uma reação inflamatória no intestino delgado, que resulta em diminuição da superfície de absorção de nutrientes, fluidos e eletrólitos. A extensão da área de absorção perdida é que determina se o indivíduo com doença celíaca desenvolverá sintomas.

O que acontece com o intestino delgado?

A principal função do intestino delgado é absorver nutrientes, fluidos e eletrólitos, um processo que é dependente de uma área de absorção adequada. Para aumentar a sua área da absorção, o epitélio do intestino delgado é bastante pregueado. Uma inflamação intestinal de qualquer origem, se for severa o suficiente, torna o epitélio intestinal achatado, reduzindo a superfície de absorção.

Quais são os sintomas?

O paciente com doença celíaca pode ter sintomas severos, tais como fraqueza, diarréia e perda de peso.

A perda de peso indica um comprometimento importante da superfície da absorção envolvendo grande parte do intestino delgado.

Alguns indivíduos apresentam fadiga e anemia sem nenhum sintoma relacionado ao trato gastrointestinal. Tais indivíduos provavelmente têm uma doença limitada a porção inicial do intestino delgado, que é responsável pela absorção normal de ferro. O restante do intestino delgado funciona adequadamente para a absorção de nutrientes e fluidos.

Outras manifestações da doença celíaca incluem doença dos ossos (oesteoporose), tetania e raramente desordens neurológicas.

Sensibilidade ao glúten também pode manifestar-se como bolhas, vermelhidão, ou estrias avermelhadas nas superfícies extensoras do corpo (dermatite herpetiforme).

Como se diagnostica esta doença?

Ainda não existe nenhum teste que faz diagnóstico definitivo de doença celíaca. O alívio dos sintomas ou a reversão de uma biópsia intestinal anormal com uma dieta livre de glúten é a evidência mais convincente de que o indivíduo tem doença celíaca ou sensibilidade ao glúten.

A maioria destes indivíduos têm biópsia intestinal característica de doença celíaca, independente da existência ou não de sintomas gastrointestinais.

Recentemente, com a descoberta de anticorpos específicos para a doença celíaca, o rastreamento nas famílias de celíacos e na população em geral têm identificado um número crescente de indivíduos sem sintomas, que têm os anticorpos circulantes e alterações na biópsia intestinal características de doença celíaca. Estes indivíduos claramente têm sensibilidade ao glúten, mas ainda é indefinido se eles vão desenvolver as manifestações clínicas da doença celíaca com o passar do tempo.

Como é o tratamento?

A remoção do trigo (glúten) da dieta dos indivíduos com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten resulta em regeneração da superfície absortiva intestinal, além de resolução dos sintomas na maioria dos pacientes.

Evitar o gluten da dieta requer exame minucioso dos rótulos das embalagens dos alimentos, pesquisando a presença de trigo ou outros grãos tais como centeio, cevada e aveia. Produtos rotulados como sem trigo não necessariamente são sem gluten. Alguns alimentos comuns que não podem ser consumidos são o pão, massas, macarrão e pizza . Existem companhias que produzem produtos sem gluten, feitos predominantemente por de arroz

A maioria dos pacientes tratados com uma dieta livre de gluten notará uma melhora dos sintomas em 2 semanas e nenhuma biópsia intestinal se seguimento será necessária. Um pequeno grupo de pacientes terá uma resposta parcial ou não responderá à dieta livre de glúten. A causa mais importante desta resposta inadequada à dieta é a ingesta de glúten através de alimentos tidos como sem gluten ou através da não aderência do paciente ao plano de dieta.

Por que tratar a doença celíaca?

Em pacientes sintomáticos a resposta óbvia é o alivio dos sintomas. Já em pacientes que têm uma sintomatologia mínima ou que são assintomáticos, duas razões são apontadas para eles manterem uma dieta livre de gluten:

  1. um subgrupo destes pacientes progredirá para uma forma mais severa da doença e assim desenvolverá os sintomas
  2. existe uma incidência aumentada de tumores do intestino delgado em indivíduos com doença celíaca. Esta incidência aumentada parece estar relacionada com o grau de inflamação (atividade), já que indivíduos com doença celíaca que responderam ao tratamento dietético sem glúten tiveram uma incidência diminuída destes tumores.

Em indivíduos que apresentam níveis elevados de anticorpos específicos para a doença celíaca, mas que são assintomáticos e têm biópsia intestinal normal ainda não se tem definida a necessidade de tratamento

Quais são as complicações desta doença?

  • Linfoma e adenocarcinoma são tipos de câncer que podem se desenvolver no intestino
  • Osteoporose é uma condição na qual os ossos se tornam fracos , com tendência a fazer fraturas . A causa básica é a absorção diminuída de cálcio que ocorre na doença celíaca.
  • Mau formações congênitas para bebês de mães que têm a doença.
  • Baixa estatura como resultado da deficiência de absorção de nutrientes durante vários anos. Em casos que a doença é diagnosticada ainda na infância pode-se prevenir este problema.
  • Convulsões que podem ser devido a absorção inadequada do ácido fólico. Falta do ácido fólico pode causar depósitos de cálcio no cérebro levando a convulsões

É comum esta doença?

Doença celíaca é a doença genética mais comum da europa. Na Itália 1 em cada 250 pessoas tem esta doença. Na Irlanda uma em trezentas. É rara entre os africanos , chineses e japoneses. Infelizmente no Brasil ainda não há estatísticas precisas

Doenças ligadas a doença celíaca:

  • Dermatite herpetiforme
  • Doenças da tireóide
  • Lupus eritematoso sistêmico
  • Diabetes tipo 1
  • Doenças hepáticas
  • Doença vascular
  • Artrite reumatóide
  • Síndrome de Sjorgren

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