EXAME DE CALORIMETRIA INDIRETA – VOCÊ CONHECE?

O exame é realizado em consultório, dura aproximadamente 20 minutos e é totalmente indolor. É necessário que o paciente esteja em repouso, em ambiente calmo e completamente relaxado. Consumo de alimentos, atividade física intensa, situações estressantes e uso de estimulantes (cafeína, por exemplo) podem elevar o metabolismo e devem ser evitados nas horas que antecedem o exame. Durante o procedimento, após a colocação de um clip nasal para impedir que o ar expirado saia pelas narinas, o paciente é orientado a respirar por um bocal que leva o ar diretamente ao aparelho para que a quantidade de oxigênio eliminada seja medida. Este processo dura de 10 a 15 minutos. Os dados fornecidos são então inseridos em um programa de computador que irá fornecer a taxa metabólica de repouso do paciente em Kcal/dia.

PROTOCOLO DE PREPARO PARA O EXAME DE CALORIMETRIA INDIRETA
– JEJUM DE ALIMENTOS 4 HORAS ANTES
– NÃO CONSUMIR BEBIDA ALCOÓLICA 24HRS ANTES
– NÃO CONSUMIR ALIMENTOS QUE CONTENHAM CAFEÍNA (CAFÉ, CHOCOLATE, CHÁ, ENERGÉTICO, REFRIGERANTE) 24HRS ANTES.
– NÃO REALIZAR ATIVIDADE FÍSICA 12HRS ANTES.
– NÃO ESTAR FEBRIL NO DIA DO EXAME.
– AO CHEGAR NO CONSULTÓRIO, AGUARDAR SENTADO OU DEITADO PARA ESTABILIZAÇÃO DA FREQUENCIA CARDÍACA AFIM DE INICIAR O EXAME.

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Calorimetria indireta x harris benedict: determinação, validação e comparação para cálculo da taxa metabólica de repouso em obesos grau III

Nonino, Carla Barbosa – 7/2/2007

Vários estudos analisando a taxa de metabolismo de repouso (TMR) contribuíram com equações cuja proposta era estabelecer padrões que pudessem ser genericamente utilizadas para se estimar a TMR. A equação de Harris-Benedict (HB), permanece como o método mais comumente utilizado para estimar a TMR.

Porém, em indivíduos obesos o uso de equações preditivas da TMR pode levar a resultados conflitantes. Indivíduos obesos submetidos a dietas hipocalóricas podem apresentar uma diminuição da TMR e do gasto energético total. Isto pode ser a causa da redução na velocidade da perda de peso durante o tratamento.

Outros estudos mostram que a TMR, quando corrigida para a massa livre de gordura (MLG), apresenta pouca variabilidade e propõem uma correlação entre MLG e TMR. Porém ainda existem dificuldades em se afirmar ou não se a redução de massa corporal também reduz a TMR. O presente estudo teve como objetivos determinar a TMR de indivíduos com obesidade grau III (IMC > 40 kg/m2) do sexo feminino obtida por meio de calorimetria indireta (CI) e comparar com a TMR estimada por meio da equação de HB utilizando-se peso atual e peso ideal.

Relacionar a TMR medida por CI com a composição corporal e validar a relação entre a TMR e a MLG nestes indivíduos antes e após a perda de peso. As pacientes foram internadas na Unidade Metabólica da Divisão de Nutrologia do Departamento de Clínica Médica do HCFMRP-USP, durante um período de 8 semanas. No início e no final do estudo foram realizadas: avaliação nutricional incluindo antropometria, bioimpedância e calorimetria indireta. As pacientes foram submetidas a uma dieta hipocalórica durante a internação.

A TMR medida por calorimetria indireta (CI) no início e final do estudo foi de 2540 ± 417 e 1924 ± 275 kcal/dia, respectivamente (p<0,05). Quando calculado pela equação de HB utilizando-se peso atual, os valores encontrados foram 2074 ± 214 e 1941 ± 190 kcal/dia (p<0,05).

Utilizando-se o peso ideal a TMR calculada foi de 1343 ± 59 kcal/dia. A TMR medida por CI foi, em média, 18 % maior que a calculada por HB pelo peso atual e 47 % maior que a calculada por HB utilizando-se o peso ideal no início do estudo.

No final do estudo estes valores passaram para 1% e 30% respectivamente. Comparando-se a TMR medida por CI e calculada por HB usando peso atual tem-se, no início do estudo uma diferença significante (p0,05).

A TMR, quando corrigida para massa livre de gordura no início e no final do estudo foi de 46 ± 6 e 35 ± 5 kcal/d/MLG (p<0,05) respectivamente e quando corrigida para a gordura corporal (GC) foi de 33 ± 6 e 30 ± 5 kcal/d/GC (p<0,05) respectivamente.

Os dados encontrados no presente estudo não permitem afirmar que o uso da equação de HB possa estimar a TMR de maneira confiável em indivíduos obesos grau III do sexo feminino. Porém os dados sugerem que logo após submeter esses indivíduos à dieta hipocalórica, com conseqüente perda de peso a equação de HB se torna confiável para estimar a TMR. Pacientes obesos ingerindo dieta livre deveriam ter a TMR obtida por meio da equação de HB corrigida por um fator de 20% a mais.

Referência: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto

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