Redução de gordura saturada não diminui risco de doenças do coração

Autor(a): Iara Waitzberg Lewinski

Metanálise de estudos prospectivos concluiu que não há associação significativa sobre o consumo de gorduras saturadas com o aumento do risco de doenças coronarianas (DC) e doenças cardiovasculares (DCV).

Experimentos anteriores conduzidos em animais mostraram que uma dieta rica em gorduras saturadas e colesterol aumenta a concentração de colesterol sanguíneo e as lesões ateroscleróticas. Estas associações também foram evidenciadas em estudos humanos. Entretanto, os resultados de alguns trabalhos não foram positivos, pois não mostraram nenhuma associação ou, ainda, evidenciam que a implicação nas DCV não acontecem, somente, devido a redução no consumo de gorduras saturadas, mas sim, pelo aumento de gorduras poliinsaturadas. A partir destas evidências, o objetivo desta metanálise foi analisar estudos epidemiológicos prospectivos e relacionar a gordura saturada dietética ao risco de DC e DCV.

Os resultados de 21 artigos foram examinados. Os indivíduos analisados (total de 347.747) eram saudáveis ao início de cada estudo. Mas 11.006 deles desenvolveram alguma DCV durante o período do estudo.

O consumo dietético de cada indivíduo foi determinado por meio de questionários de frequência alimentar, diários alimentares ou reportados por telefone. Os estudos acompanharam os participantes por 6 a 23 anos.

O número de participantes de cada estudo variou de 266 a 85.764 e a idade ficou entre 30 e 89 anos. Onze estudos foram conduzidos exclusivamente com homens, dois com mulheres e oito com mulheres e homens. Doze estudos foram realizados na América do Norte, seis na Europa, dois no Japão e um em Israel.

Após os ajustes para idade, gênero, tamanho da amostra, duração e qualidade do estudo, os autores observaram que não houve associação positiva significante entre a gordura saturada dietética e o aumento para DC ou DCV.

Mesmo em uma subanálise, onde foi avaliada a mesma relação entre gêneros e idades (mais ou menos de 60 anos), também não houve resultados significativos.

“Analisando estes resultados e dados de outras literaturas científicas, parece que para reduzir o risco para DCV a gordura saturada não deve apenas sofrer redução na dieta, mas sim ser substituída por gorduras poliinsaturadas. Estima-se que a substituição de 5% da energia proveniente de gorduras saturadas por poliinsaturadas reduza o risco de DCV em 42%. A quantidade de gorduras poliinsaturadas em relação às saturadas também é importante, sendo a razão de gorduras poliinsaturadas e saturadas ≥ 0,49, positivamente relacionada com a redução de DCV”, comentam os autores.

Referência(s)

Siri-Tarino PW, Sun Q, Hu FB, Krauss RM. Meta-analysis of prospective cohort studies evaluating the association of saturated fat with cardiovascular disease. Am J Clin Nutr. 2010;91:535-46.

Fonte: NUTRITOTAL – www.nutritotal.com.br

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