Estudo atribui novos benefícios para a vitamina A

A deficiência de vitamina A é considerada uma das mais importantes deficiências nutricionais do mundo subdesenvolvido.

A vitamina A atua nos processos de manutenção da imunocompetência, principalmente em relação aos linfócitos, de respostas mediadas pelas células T e de ativação de macrófagos.

Estudo publicado na edição de julho da revista Pediatrics revela uma nova propriedade da vitamina A. Segundo os pesquisadores da Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, uma única dose oral da vitamina ministrada a um recém-nascido em país em desenvolvimento pode reduzir seu risco de morte em até 15%.

Para chegar a esta conclusão, cerca de 16 mil recém-nascidos em comunidades rurais de Bangladesh receberam 50 mil UI (unidades internacionais) de vitamina A cerca de sete horas após o nascimento. Aos demais nascidos foi oferecido placebo.

A taxa de mortalidade nesta comunidade foi de 38,5/1000 nascidos vivos, onde apenas 10% dos nascimentos acontecem em hospitais e clínicas, fazendo da grande maioria dos partos domiciliares. O número foi 17% menor do que o registrado entre os bebês que receberam placebo, com taxa de 45,1/1000 nascidos vivos.

De acordo com o principal autor do estudo, dr. Rolf Klemm, o principal fator protetor oferecido pela vitamina A está em sua capacidade de reduzir a gravidade de infecções potencialmente fatais.

O estudo comprovou que esta intervenção de baixo custo pode reduzir também a mortalidade em recém-nascidos, e não apenas para os maiores de seis meses de idade, fato que já era conhecido.

Além de reduzir a gravidade de infecções e aumentar as chances de sobrevivência, a vitamina A possibilita a recuperação mais rápida da criança, afirma Letícia De Nardi Campos, nutricionista do Ganep Nutrição Humana e pesquisadora do Laboratório de Metabologia e Nutrição em Cirurgia (METANUTRI – LIM 35 – FMUSP).

Estudos promovidos pelo UNICEF, em 1980, indicaram que sinais clínicos de deficiência da vitamina A estão quase sempre acompanhados de manifestações de deficiência energético-protéica.

Segundo o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, do Ministério da Saúde, a carência desta vitamina é a principal causa de cegueira evitável no mundo, e está associada a 23% das mortes de crianças por diarréias.

Vitamina A

A vitamina A atua no processo de crescimento, sendo fundamental para o bom desenvolvimento das crianças, afirma Letícia De Nardi.

“Ela é muito importante para a saúde dos olhos e da visão. A falta desta vitamina pode gerar dificuldades de enxergar em lugares com luz fraca e causar alterações oculares, levando até mesmo à cegueira total”.

Segundo a nutricionista, a vitamina A é encontrada em alimentos de origem animal, tais como leite e seus derivados; frutas e legumes de cor amarelo – alaranjado, como manga, mamão, cenoura e abóbora; verduras verde-escuras, como o caruru, a bertalha e a couve, além de óleos e frutas oleaginosas, como o buriti, a pupunha, o dendê e o pequi.

A melhor fonte de vitamina A na natureza, no entanto, é o fígado de alguns peixes, como o linguado, o bacalhau e o arenque.

“Há fatores que podem interferir na absorção de vitamina A pelo organismo. Como fatores facilitadores, observam-se a necessidade de bom estado nutricional em relação à proteína e ao zinco e a presença de vitamina E, que atua como antioxidante, protegendo a vitamina A da oxidação. Fatores que podem prejudicar a biodisponibilidade da vitamina A são a má-absorção de gordura e os parasitas intestinais, como Ascaris lumbricoides e Giardia lamblia”.

De acordo com o Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, as quantidades ideais para cada faixa etária são:

* Crianças de 6 a 11 meses: suplemento oral (cápsula) de 100.00 UI a cada 6 meses
* Crianças de 1 ano a 4 anos e 11 meses: suplemento oral (cápsula) de 200.00 UI a cada 6 meses
* Mulheres no pós-parto: suplemento oral (cápsula) de 200.000 UI, uma única vez.

A vitamina A no Brasil

De acordo com Letícia De Nardi, a deficiência de vitamina A pode acarretar cegueira, com sintomas iniciais de cegueira noturna e ressecamento do olho; comprometimento do sistema imunológico, com ocorrência freqüente de diarréia e infecções respiratórias.

A população infantil do Nordeste é a mais vulnerável a estes problemas. Resultados de diversos estudos sobre o tema encontraram até 55% das crianças nestas regiões com dosagem de vitamina “A” menor que 20 mcg/dl, o que caracteriza uma situação carencial endêmica.

Com vista neste problema, o Ministério da Saúde mantém o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A com o objetivo de erradicar a deficiência nutricional de vitamina A em crianças de seis meses a cinco anos de idade, residentes em regiões consideradas de risco.

O programa abrange áreas consideradas de risco, como as regiões do Nordeste, Vale do Jequitinhonha (MG) e Vale do Ribeira (SP).

Esta ação visa a garantir a eliminação da deficiência de vitamina A como um problema de saúde pública no Brasil assegurando a suplementação de vitamina A e informando as famílias residentes em áreas de risco sobre a importância da vitamina A, incentivando o consumo de alimentos ricos neste nutriente. O programa também estabelece um sistema de monitoramento que permite a avaliação do processo e o impacto da suplementação.

Referência(s)

Agência FAPESP. Divulgação científica: Vitamina A para sobreviver. Disponível em: http://www.agencia.fapesp.br/materia/9086/divulgacao-cientifica/vitamina-a-para-sobreviver.htm. Acessado em 31.07.2008.

Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A. Disponível em: http://dtr2004.saude.gov.br/nutricao/vita_info_publico.php?exibe_pagina=vita_programa_conceito_objetivo. Acessado em 31.07.2008.

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