Entenda o que acontece com quem come enquanto dorme

Quando acordam, essas pessoas não lembram de nada do que aconteceu durante a noite. Cerca de 10% das pessoas com distúrbios do sono podem ter esse comportamento. Eles se levantam no meio da noite, vão até a cozinha e assaltam a geladeira dormindo. Às vezes, levam doces para a cama. Ao acordar, não têm a menor lembrança do banquete noturno. Conheça os sonâmbulos tomados por um impulso incontrolável de comer durante o sono.

As pessoas que aparecem em imagens da TV americana sofrem de um misterioso distúrbio do sono. Elas comem dormindo, como se fossem zumbis, sem a menor noção do que estão fazendo.

E de manhã…

“Levantava de manhã, via resto de comida na pia, e não lembrava de ter comido”, conta o engenheiro Paulo Roberto Gaboardi.

“Minha mãe chegava e falava: ‘nossa, o lençol está manchado de café’. Às vezes eu tinha pegado um pão, colocado café e ido para cama dormir comendo o pão, e deixava o pão sobre a cama, e manchava, e acontecia isso”, conta um portador do distúrbio.

“Em torno de 9% a 10% das pessoas com distúrbios do sono podem ter esse comportamento”, calcula a coordenadora do Instituto do Sono – SP Lia Bittencourt.

Que tipo de comida os sonâmbulos procuram? Iogurte, leite, chocolate, biscoito, doce, pizza…

“Alimentos mais fáceis ou prazerosos de serem consumidos”, explica a nutricionista da Associação Paulista de Nutrição Vanderli Marchiore.

“Não era por fome. Eu acho que era uma coisa mais automática”, comenta o engenheiro Paulo Roberto Gaboardi.

O ritual às vezes é sofisticado.

“Eu tenho uma paciente, inclusive, que cozinha durante o sono. Ela levanta, prepara o macarrão, cobre de queijo e consome esse prato inteiro. Por que ela vai atrás do macarrão? Quando ela era pequenininha, o que mais remete à afeição era o macarrão alho e óleo que a mãe dela fazia quando ela ficava doente”, destaca a nutricionista Vanderli Marchiore.

Como explicar que o sonâmbulo ande pela casa e mexa em objetos perigosos na cozinha, sem se machucar? A resposta está no cérebro. Nos portadores do distúrbio, a área responsável pelos movimentos desperta e coordena os passos pelo caminho rotineiro até a geladeira. Mas a região que controla a razão e a capacidade de julgamento continua “apagada”. Assim, sem qualquer tipo de autocontrole, o cardápio pode ficar intragável.

“Já tivemos pacientes que consumiram comida de gato, ou bateram pó de café, casca de ovo e refrigerante no liquidificador. Alguns já comeram cola, pizza congelada e até barra de sabão”, conta o médico do sono Carlos Schenck.

“São coisas totalmente bizarras que no outro dia ela nem acredita que comeu mesmo”, diz Lia Bittencourt.

O distúrbio tem também um fator hereditário. “Minha mãe levantava, comia, e no dia seguinte também não lembrava de nada. Conversava comigo, comia, voltava a dormir”, lembra o engenheiro Paulo Roberto Gaboardi.

Como durante o sono o metabolismo é mais lento, muitas vezes os sonâmbulos acabam ganhando peso. A portadora do distúrbio Anna Ryan engordou 26 quilos em um ano e meio: “Estou com pressão alta. Eu acordava exausta, como se eu não tivesse dormido bem”.

A equipe de TV deixou uma câmera na cozinha de Anna. Ela se levanta. O marido, ao lado, não percebe nada. Depois do lanche, Anna leva ainda comida para a cama. Em dois dias foram cinco ataques noturnos.
“É frustrante. Eu me sinto culpada por não conseguir me controlar”, lamenta a portadora do distúrbio Anna Ryan.

Quando assiste às imagens, Anna fica chocada. É a primeira vez que ela se vê durante um acesso de sonambulismo. “Meu Deus, minha boca está cheia. Eu não sei como não engasguei. Não imaginava que eu levasse comida para a cama”, se surpreende.

“A minha família, minha filha, meu filho, minha esposa ajudam bastante. Eles tiram tudo o que está ao alcance. Fecham a porta da cozinha”, descreve um portador do distúrbio.

O tratamento varia caso a caso. Geralmente combina drogas psiquiátricas com reeducação alimentar. Para a portadora do distúrbio Amy Koechler, foi receitado um remédio contra convulsão. “Eu acordava à noite para comer biscoitos e beber suco”, ela conta.

O engenheiro Paulo Roberto passou a seguir uma dieta: “Eu comecei a comer comidas mais adequadas à noite, evitando comer carne. Comendo mais frutas, legumes, evitando os derivados do leite. Nos últimos oito, nove meses eu perdi quase dez quilos devido à alimentação correta”.

Para uma noite tranquila, os nutricionistas recomendam banana com aveia antes de dormir. O prato é rico em triptofano, um aminoácido importante para estabilizar o sono. “A pessoa dorme melhor e tem menos episódios do comer noturno”, diz a nutricionista Sandra Reis.


Outra pedida é o chá de valeriana, que tem efeito relaxante.

“Sei que o distúrbio não tem cura, mas, com o tempo, a gente aprende a conviver com o problema”, aponta a portadora do distúrbio Amy Koechler.

Fonte: Globo – Fantástico
Assista ao vídeo, clique aqui.

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Website: nutricaosadia.com

Dr. Vinícius Graton é Nutricionista atuante na Nutrição Clínica & Nutrição Esportiva. Em Uberlândia/MG atende na Clínica Renova - Rua Bernardo Guimarães 417 - Bairro Fundinho. Contato (34) 3255-1237 ou 3231-8655. Para Assessoria Online envie WhatsApp (34)98407-3617

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