ANTIOXIDANTES: como atuam na prevenção de carcinogênese?

A utilização de antioxidantes na prevenção do câncer tem sido objeto de estudo e discussão no meio científico há décadas. Figuram na lista como agentes protetores mais estudados os carotenóides, flavonóides, ácido ascórbico, vitamina E, selênio, curcumina, antocianinas e catequinas. Essas substâncias recebem esse nome (antioxidante) por se ligarem aos radicais livres por meio de mecanismos específicos, protegendo as células contra os efeitos deletérios destes radicais (1).

As pesquisas envolvendo a ação antioxidante e a prevenção do câncer são dificultadas pelo fato do câncer ser uma síndrome que envolve várias etapas, em geral alinhadas em estágios (iniciação, promoção e progressão), além de envolver múltiplos fatores causais. Esses antioxidantes, apesar de encontrados na alimentação natural, também estão presentes em suplementos de vitaminas e minerais comercializados no Brasil, representando uma questão polêmica quanto a sua eficácia e seus efeitos dose-dependentes (2,3).

Um estudo publicado em Amsterdã observou a eficácia antioxidante da vitamina C, carotenos e vitamina E na redução do dano celular em linfócitos humanos após exposição à radiação por raios gama. Concluiu-se que estas vitaminas teriam efeito positivo somente quando administradas no momento seguinte à exposição. Já em um estudo in vivo com 27 pacientes em quimioterapia, para observar aberrações cromossômicas linfocitárias, não foram observadas diferenças estatisticamente significantes entre os que recebiam placebo ou suplementação antioxidante (2,3).

Em pesquisa realizada na China (Linxian) com 29.584 indivíduos, a suplementação de vitamina E (30 mg/dia), beta-caroteno (15 mg/dia) e selênio (50 mg/dia) foi benéfica para indivíduos com baixo consumo de micronutrientes e concentração plasmática reduzida de carotenóides. Observou-se, neste grupo, uma redução de 21% na mortalidade por câncer de estômago e 9% na mortalidade total de câncer (4).

Em contrapartida, o estudo ATBC (Alpha-Tocopherol Beta Carotene Câncer Prevention Study), na Finlândia, com 29.133 homens tabagistas com suplementação diária de betacaroteno (20 mg) ou vitamina E (50 mg), encontrou efeito negativo para o grupo com suplementação de betacaroteno (aumento de 18% na incidência de câncer de pulmão e de 8% na mortalidade total por câncer) (5).

Já o estudo SU.VI.MAX (Supplémentaion en Vitamines et Minéraux Antioxydants), um dos mais recentes finalizados e desenvolvidos na França, observou os efeitos dos antioxidantes na saúde humana. O ensaio randomizado e duplo cego analisou a eficácia da suplementação, durante oito anos, com uma combinação de vitaminas antioxidantes e minerais (beta-caroteno, vitamina C, vitamina E, selênio e zinco) em doses consideradas como nutricionais e não-farmacológicas, dentro de uma dieta equilibrada (alcançáveis com o consumo de alimentos) em
uma população geral. Os resultados deste estudo reforçaram as recomendações gerais também para pacientes com câncer, de uma dieta diversificada e continuada que contenha alimentos que sejam ricos em fontes de nutrientes antioxidantes (6).

Portanto, observa-se que vários estudos têm apontado para ingestão de quantidades fisiológicas de antioxidantes (vitamina C, E e carotenóides) como eficazes para retardar ou prevenir o aparecimento de câncer. Por isso, a Organização Mundial de Saúde preconiza uma alimentação rica em vegetais, frutas e legumes (cinco ou mais porções por dia), pobre em carnes vermelhas, gorduras saturadas, sal e açúcar, bem como, evitar bebida alcoólica em excesso e sedentarismo (2-7). A suplementação de vitaminas e minerais, por sua vez, está preconizada em casos de aporte insuficiente na alimentação, não excedendo as quantidades recomendadas pela DRI (Dietary Reference Intakes) em determinadas situações fisiológicas ou em situações clínicas específicas (3).

Pollyanna Patriota Nutricionista. Mestre em saúde materno-infantil pelo Instituto Materno-infantil de Pernambuco. Doutoranda em saúde da criança e adolescente – Unicamp. Docente da Universidade Federal de Alagoas e da Universidade Metodista de Piracicaba.

Referências:
1. Bianchi MLP, Antunes LMG. Radicais livres e os principais antioxidantes da dieta. Rev Nutr. 1999;12(2):123-130.
2. Nepomunceno J.C. Dieta e câncer: vitaminas antioxidantes. Biosci J. 2005;21(1):141-146.
3. Silva CRM, Naves MMV. Suplementação de vitaminas na prevenção do câncer. Rev Nutr. 2001;14(2):135-143.
4. Blot WJ, Li JY, Taylor PR, Guo W, Dawsey S, Wang GQ, Yang CS, et al. Nutrition intervention trials in Linxian, China: supplementation with specific vitamin/mineral combinations, cancer incidence, and disease-specific mortality in the general population. J Natl Cancer Inst. 1993;85(18):1483-92.
5. The effect of vitamin E and beta carotene on the incidence of lung cancer and other cancers in male smokers. The Alpha-Tocopherol, Beta Carotene Cancer Prevention Study Group. Engl J Med. 1994;330(15):1029-35.
6. Hercberg S, Galan P, Preziosi P, Roussel AM, Arnaud J, Richard MJ, et al. Background and rationale behind the SU.VI.MAX Study, a prevention trial using
nutritional doses of a combination of antioxidant vitamins and minerals to reduce cardiovascular diseases and cancers. Upplementation en VItamines et Minéraux AntioXydants Study. Int J Vitam Nutr Res. 1998;68(1):3-20.
7. Núnez-Sellés AJ. Antioxidant Therapy: myth or reality? J Braz Chem Soc. 2005;16(4):699-710.
Artigo retirado do site NUTRITOTAL
http://www.nutritotal.com.br

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Dr. Vinícius Graton é Nutricionista atuante na Nutrição Clínica & Nutrição Esportiva. Em Uberlândia/MG atende na Clínica Renova - Rua Bernardo Guimarães 417 - Bairro Fundinho. Contato (34) 3255-1237 ou 3231-8655. Para Assessoria Online envie WhatsApp (34)98407-3617

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